“Ele tinha o sorriso torto, aquele que atrai os olhos e instiga a boca. Com ele nada era o suficiente, tempestade era chuvisco, enchente era água de mangueira e mar era poça d’água. Estar perto era o mesmo que estar longe. Estar longe era o mesmo que não respirar, porque ele virou o ar, virou a água e virou a luz. Saudade se fazia em qualquer hora. Com boca na boca, com mão na mão, com olho no olho. O que só me fazia chegar mais perto e em sua boca me envenenar ainda mais, em suas mãos me entregar e em seus olhos me afogar. Com ele era assim, nada bastava. Do tudo se fazia o nada e eu, queria sempre mais.”
~ Evelyn Cardoso, Obliterar